Édito de Milão
O acordo associado a Constantino e Licínio que garantiu liberdade de culto e abriu uma nova etapa para os cristãos no Império Romano.
A fé cristã deixa de ser uma religião perseguida pelo poder imperial e passa a poder existir publicamente.
No início do século IV, os cristãos ainda carregavam a memória recente de duras perseguições imperiais, especialmente a chamada Grande Perseguição iniciada sob Diocleciano. Igrejas haviam sido destruídas, livros sagrados confiscados e muitos fiéis tinham sido presos, torturados ou mortos por se recusarem a abandonar a fé.
Em 313, depois de se encontrarem em Milão, os imperadores Constantino e Licínio estabeleceram uma política de liberdade religiosa para os habitantes do Império. O texto preservado por autores cristãos antigos determinava que os cristãos, assim como os demais, pudessem seguir livremente a religião que escolhessem.
Além da liberdade de culto, a medida previa a restituição de propriedades anteriormente confiscadas das comunidades cristãs. Isso foi decisivo: os cristãos puderam voltar a reunir-se legalmente, organizar suas comunidades de forma pública e construir lugares de culto sem o mesmo temor de uma ação oficial do Estado.
O cristianismo tornou-se religião oficial em 313?
Não. Esse é um ponto importante. O Édito de Milão não transformou o cristianismo na religião oficial do Império Romano. Ele estabeleceu liberdade religiosa e encerrou a política de perseguição estatal contra os cristãos. A adoção da fé cristã nicena como referência religiosa oficial do Império ocorreria décadas mais tarde, em 380, com o Édito de Tessalônica.
A partir de 313, porém, a situação da Igreja mudou profundamente. Constantino passou a favorecer o cristianismo em diversos aspectos, concedeu benefícios ao clero, apoiou a construção de basílicas e convocou, em 325, o Concílio de Niceia diante da crise ariana.